Desvendando a grafotécnica: A importância no combate à falsidade documental

Essa ciência forense é essencial para a validação de documentos e assinaturas, garantindo a integridade dos processos judiciais e a busca pela verdade. Uma leitura indispensável para advogados e magistrados comprometidos com a justiça e a segurança jurídica.

A falsificação de documentos é uma prática tão antiga quanto a própria escrita. Desde tempos imemoriais, indivíduos desonestos têm se utilizado da habilidade de alterar ou criar documentos fraudulentos para diversos fins ilícitos.

No contexto jurídico, a falsidade documental representa uma séria ameaça à segurança e à confiabilidade do sistema judicial, comprometendo a busca pela verdade e a aplicação da justiça.

Tenho acompanhado em meus 15 anos de expertise nesta área pericial, os mais diversos tipos de casos de falsidade de assinatura, e como influenciam diretamente um desfecho de um litígio, comprometendo a integridade de um processo e a credibilidade da justiça.

Nesse cenário, a grafotécnica emerge como uma ferramenta fundamental no combate à falsidade documental, vez que se trata de uma ciência forense que se dedica ao estudo e à análise da escrita, com o objetivo de identificar características únicas e distintivas que permitem a identificação do punho escritor.

Particularmente, muitas vezes minha experiência me leva a refletir a respeito de como o falsificador vem tratando a grafotécnica como meio de prova a fim de solicitar a perícia no processo. A meu ver, este tipo de pessoa não acredita que a grafotécnica se trata de uma ciência, com comprovação cientifica e que pode sim, identificar e individualizar o punho escritor e obter conclusões precisas e assertivas.

Por esta razão, a importância da grafotécnica no contexto jurídico é inegável.

Magistrados, advogados e demais operadores do direito devem estar cientes de sua relevância e buscar o apoio de peritos grafotécnicos sempre que necessário, mas devem estar atentos às evidências de expertise do Perito a ser nomeado, vez que ele deve se valer da metodologia correta de análise, atualmente aceita pelos especialistas que identifica e individualiza o punho escritor. Ainda, devemos considerar que o expert deve proceder de forma totalmente imparcial, possuir perfil investigativo e competências observadoras, pois a análise grafotécnica é minuciosa e detalhista, e desta forma, poderá elaborar um Laudo Pericial esclarecedor, demonstrando efetivamente os meios pelos quais alcançou suas conclusões.

Graças aos avanços tecnológicos, temos hoje no mercado equipamentos específicos que auxiliam na investigação dos materiais a serem periciados, entretanto, insisto em afirmar, que se o perito não sabe interpretar corretamente os resultados através do emprego da metodologia correta, não chegará a uma conclusão confiável e precisa.

Nesta seara, ressalto que o laudo pericial não precisa discorrer sobre teorias de livros e apostilas, mas ser conciso e objetivo, demonstrando claramente como alcançou suas conclusões, do contrário, sem essas qualificações, pode-se obter um laudo defeituoso e levar à erro a decisão do Juízo no processo, prejudicando as partes.

Cabe considerar ainda, que a grafotécnica não se restringe apenas à identificação de falsificações, mas também tem sua importância para confirmar a autenticidade de documentos e assinaturas, fornecendo embasamento técnico para a validação de contratos, testamentos, procurações e outros instrumentos jurídicos.

Além disso, a análise grafotécnica na escrita é frequentemente utilizada para resolver casos de fraude, falsificação de documentos públicos e particulares, estelionato e outros delitos relacionados à falsidade documental.

Sendo assim, sob o olhar de um perito especializado, magistrados e advogados podem assegurar a integridade e a confiabilidade dos documentos que fundamentam as decisões judiciais, garantindo, assim, a efetividade da justiça e a preservação do Estado de Direito.

 

https://www.migalhas.com.br/depeso/407047/desvendando-a-grafotecnica-combate-a-falsidade-documental

Contratação do perito assistente: despesa ou investimento?

O bom perito assistente é aquele que atua em uma relação de parceria com o advogado e o cliente, tanto nas estratégias processuais como no seu acompanhamento até o final do processo.

A essência de um perito é fornecer um parecer técnico imparcial com base em seu conhecimento e experiência especializada em uma área específica.

O Juízo, sabendo desta especificidade, nomeia, portanto, o perito especializado, balizado no Artigo 156 do Novo CPC (lei 13.105 de 16 de março de 2015), que reza que ‘o juiz será assistido por perito quando a prova do fato depender de conhecimento técnico ou científico’. Em seu parágrafo primeiro, o mesmo artigo, ainda reza que ‘os peritos serão nomeados entre os profissionais legalmente habilitados e os órgãos técnicos ou científicos devidamente inscritos em cadastro mantido pelo tribunal ao qual o juiz está vinculado’.

O próprio termo já diz que “perito” é “experto”, “experiente”, ou do dicionário juridico, tem-se que o termo “perito” é definido como “pessoa com erudição técnica, específica e comprovada aptidão e idoneidade profissional, nomeada pela jurisdição judicial, com a finalidade de ajudar a Justiça nas suas investigações, fornecendo sua avaliação técnica sobre o objeto da demanda ou alguma coisa com ela relacionada (CPC, arts. 145 a 147).”

Daí pode-se abranger o assunto para o Perito Assistente, o qual ajuda a parte a entender as questões técnicas e científicas envolvidas em um processo, auxiliando na preparação de evidências, na formulação de quesitos e na revisão de relatórios, identificando possíveis problemas ou lacunas nas evidências apresentadas pelo perito principal, além de colaborar a avaliar a credibilidade e a solidez do parecer técnico apresentado.

Compreender a perícia é fundamental para advogados que lidam com casos complexos que envolvem questões técnicas, vez que ajuda a garantir que os interesses de seus clientes sejam adequadamente representados e que o processo judicial seja justo e equitativo.

Nesta seara, observa-se, principalmente ao longo de uma caminhada de mais de doze anos na área pericial, que as partes, muitas vezes, não dão a devida importância na contratação do assistente técnico para a sua defesa técnica, outras optam, no caso principalmente das empresas, em contar com o próprio funcionário para o acompanhamento da diligência.

Dois erros significativos podem ser apontados e discutidos nestas situações:

O primeiro é que, do ponto de vista do perito do Juízo, quando a parte opta por não indicar o assistente técnico no processo, os quesitos se tornam enfraquecidos e consequentemente, a defesa técnica quase nula.

Na visão do Perito, como em toda minha trajetória na área pericial, não somente na Grafotécnica, como na Farmacêutica e na de Engenharia, observa-se que quando não há assistente técnico indicado no processo, os quesitos muitas vezes se tornam prejudicados pois fogem do objeto da perícia.

Enquanto a parte, fazendo uso de um bom assistente técnico, garante que a perícia seja usada estrategicamente para fortalecer sua posição e o advogado pode fazer uso estratégico da perícia quando entende como usá-la eficazmente a seu favor.

O segundo erro em não indicar perito assistente, é que a parte está renunciando a um direito seu, garantido pelo Novo CPC, muito embora a indicação de assistente técnico seja uma faculdade das partes.

Cabe considerar aqui que, de acordo com o parágrafo segundo do Art. 466 do Novo CPC, “o perito deve assegurar aos assistentes das partes o acesso e o acompanhamento das diligências e dos exames que realizar (…)”.

Desta forma, salienta-se a importância, neste momento, da presença do Perito Assistente, vez que este possui uma visão holística de todo o tramite processual, além de ter conhecimento técnico e expertise no âmbito pericial, o que proporciona mais segurança ao cliente no momento da perícia e em todas as fases dela.

Costumo dizer que o bom perito assistente técnico é aquele que atua em uma relação de parceria com o Advogado e o Cliente, tanto nas estratégias processuais como no seu acompanhamento até o final do processo.

Por último e não menos importante, mas um fator relevante a observar, é que de acordo com o parágrafo terceiro do Art. 473 do mesmo CPC, o perito e os assistentes técnicos, para o desempenho de suas funções, podem se valer de todos os meios necessários, tais como a oitiva de testemunhas, a obtenção de informações, instrução do laudo, se necessário através de planilhas, gráficos, fotografias ou quaisquer outros elementos necessários, ao esclarecimento do objeto da perícia.

Ou seja, o assistente técnico consegue realizar uma “perícia” em paralelo, a fim de “discutir” tecnicamente com o perito, dentro dos tramites legais, para garantir sucesso na defesa técnica do cliente.

Nesta seara, o laudo pericial não pode ser esquecido, vez que, de acordo com o Artigo 473 do Novo CPC, ele deve conter a exposição do objeto da perícia, a análise técnica realizada e metodologia utilizada pelo perito, resposta conclusiva a todos os quesitos apresentados pelo juiz e pelas partes e fundamentação em linguagem simples e coerência lógica, sempre indicando como alcançou suas conclusões.

Assim, o assistente técnico possui plenas condições de representar tecnicamente o cliente, apresentando seu laudo concordante ou discordante, com o mesmo nível de embasamento técnico do perito judicial.

Portanto, a contratação do Perito Assistente deixa de ser um gasto, para ser um investimento, vez que é também, um direito das partes em uma Ação Judicial, garantida pelo Novo CPC – lei 13.105 de 16 de março de 2015 – e o Juízo acata o Laudo do Assistente Técnico em defesa das partes, pois ele consegue expor a verdade fática e técnica em linguagem jurídica, respeitando os prazos e os trâmites processuais, pois possui especialização para executar esta função, garantindo assim a segurança do cliente e sucesso na defesa.

https://www.migalhas.com.br/depeso/396382/contratacao-do-perito-assistente-despesa-ou-investimento

Confira a matéria que escrevi para o site do Migalhas

Olá Rede!
Você sabia que sua escrita diz sobre você?

Sim, ela é uma influência imediata do cérebro, o que te torna único e inconfundível!
Dessa forma, pela sua escrita, você consegue demonstrar motivação ou momentos depressivos, se você pensa no futuro ou fica preso ao passado, bem como outras características, tanto positivas como negativas, que você expressa através da grafia. Entretanto, hoje vivemos em um mundo onde se torna cada vez mais raro a escrita no papel.

Sua assinatura também diz sobre você, pois há traços genéticos, de seu inconsciente ao criá-la, que a torna impossível de ser imitada. Por essa razão, a perícia grafotécnica consegue analisar e detectar precisamente, falsificações e até mesmo auto falsificações, pois o gesto gráfico é único e inconfundível.

Hoje é possível detectar também falsificações de assinaturas em documentos digitais ou digitalizados, mas algumas características se perdem na análise, entretanto, as mais relevantes conseguem se manter. Por isso, ainda a melhor forma de se traçar o perfil gráfico de alguém é através da caneta e do papel.

Confira a matéria que escrevi para o site do Migalhas a respeito da Criação única do Gesto Gráfico.
https://lnkd.in/dVFPe9g

Perícia grafotécnica não é mágica!

A escrita emana diretamente do cérebro, e por esta razão muitas vezes apesar do fraudador tentar mascarar algumas características que em uma análise rápida e genérica possam até passarem despercebidas, na análise pericial grafotécnica minuciosa é possível detectar precisamente características.

Assinar um documento significa dar validade a ele. A validade da autenticidade de quem o assinou.

Mas como alguém pode negar que tenha assinado tal documento?

Talvez esta pessoa possa não acreditar que é possível detectar seus traços no papel, talvez ela acredite que seja possível burlar as regras da natureza, da fisiologia do corpo humano…

Segundo a lei elaborada pelo grande Perito Francês Solange Pellat, “O gesto gráfico está sob influência imediata do cérebro. Sua forma não é modificada pelo órgão escritor se este funciona normalmente e se encontra suficientemente adaptado a sua função”.

Portanto, sua assinatura diz sobre você!

Como então não descobrir a autenticidade do indivíduo no gesto gráfico, uma vez que o mesmo se torna uma criação única, impossível de ser falsificada?

Para se assegurar que a justiça seja feita, e para resolver esta e muitas outras questões, juízes, promotores e advogados tem recorrido à Perícia Grafotécnica que visa elucidar as dúvidas referentes aos possíveis punhos provenientes dos lançamentos gráficos a eles questionados.

O Perito Grafotécnico, nomeado pelo Juiz, pode atuar nas mais diversas áreas do Direito, seja a Cível, Trabalhista e/ou Família, e sempre atuando com imparcialidade, tem a função de auxiliar a justiça no esclarecimento das dúvidas a respeito das autenticidades gráficas.

A Perícia Grafotécnica não é mágica, mas sim, ciência! E como ciência, ela obtém resultados conclusivos, desde que o perito siga corretamente as técnicas de análise, respeitando determinados critérios como adequabilidade, contemporaneidade, quantidade e autenticidade, de forma transparente e imparcial.

É verdade que afirmar a autenticidade ou a falsidade de lançamentos gráficos, não é tarefa simples, pois ao fazê-lo, o perito do juiz elaborou um vasto trabalho, trilhando um longo caminho, com análises minuciosas e detalhadas, baseado em conhecimentos técnicos, fazendo uso de instrumentos específicos, em que é possível chegar a conclusões precisas em seu laudo, que é uma importante ferramenta que supre os magistrados em suas sentenças.

A escrita emana diretamente do cérebro, e por esta razão muitas vezes apesar do fraudador tentar mascarar algumas características que em uma análise rápida e genérica possam até mesmo, de primeiro momento, passarem despercebidas, na análise pericial grafotécnica minuciosa é possível detectar precisamente tais características.

O perito grafotécnico pode e deve também, requerer a colheita de provas técnicas do autor do gesto gráfico, a fim de auxiliá-lo tanto nas análises técnicas dos gestos propriamente ditos, como na juntada de grafias originais, visto que atualmente muitos dos documentos originais são perdidos em virtude da grande demanda dos processos virtuais, e dessa forma, contribuindo também para que o mesmo possa concluir seu laudo com precisão e justiça.

Saliento sobre o fato de que o juiz pode dar opção às partes para indicarem seus assistentes técnicos, que podem ou não elaborar seus quesitos ao perito judicial, a fim de contribuir para o direcionamento das análises periciais de forma mais direta e certeira. É muito importante que os quesitos sejam elaborados por assistentes especializados na área, para que os questionamentos ao perito judicial sejam bem técnicos e precisos, a fim de que a linguagem discutida no processo seja a mesma.

O perito judicial por sua vez, não necessita comunicar os assistentes técnicos para que o acompanhem nas análises documentais in loco, porém, deve comunica-los para o acompanhamento durante a colheita de provas técnicas, a fim de que o trabalho seja executado de forma transparente e clara, sem prejuízo às partes e visando o bom andamento do processo.

Enfim, o Laudo Pericial Grafotécnico não deve ser prolixo ou conter conclusões evasivas, tampouco tendenciosas, pelo contrário, ele deve ser claro, direto, objetivo e imparcial, sempre enriquecido com fotos e explicações técnicas, de modo a demonstrar o desenvolvimento de suas análises e os porquês de sua conclusão, utilizando linguagem de fácil entendimento, visto que o trabalho será lido por pessoas que não são técnicos na área. No caso de haver quesitos no processo, o perito deve respondê-los de forma direta e objetiva, esclarecendo os pontos obscuros e duvidosos, tendo em mente sempre que o objetivo é revelar a verdade para que a justiça seja feita.

E, portanto, nunca devemos esquecer da famosa “frase clichê”…

“A verdade sempre aparece”!

Leia na íntegra meu artigo publicado no Portal Migalhas pelo link:

https://www.migalhas.com.br/depeso/252231/pericia-grafotecnica-nao-e-magica

Perito Assistente para processos trabalhistas e Cíveis

Confiram essa matéria que publiquei, a respeito do papel essencial do Perito e tambem a respeito da importância da contratação de um bom Perito Assistente para processos trabalhistas e Cíveis.

A entrevista foi dada à TV Migalhas, juntamente com meu colega, o advogado Felipe Augusto Camperlingo e Silva que adiciona que “A fase da perícia é como se fosse um processo dentro de um outro processo, onde vai ter o contraditório e as partes vão poder combater a questão para no final o juiz ter condições de decidir.”

Confira a matéria em sua íntegra através do link: https://lnkd.in/d_aGS-7c

https://www.migalhas.com.br/quentes/266734/especialistas-explicam-a-importancia-do-perito-de-acordo-com-o-novo-cpc

https://lnkd.in/dnWjTx9V

A segurança no trabalho

Um trabalhador morre no Brasil a cada 4 horas e centenas se acidentam.

 

Segundo dados estatísticos do Observatório Digital de Saúde e Segurança do Ministério Público do Trabalho (MPT), nos anos de 2012 a 2017, foram notificadas 14.412 mortes e 4,26 milhões de acidentes de trabalho, e esses números podem ser ainda maiores.

Segundo o procurador do MPT e coordenador nacional de defesa do meio ambiente do Trabalho, Leonardo Osório, as estimativas da Organização Mundial do Trabalho (OIT) indicam que apenas 1 em cada 7 acidentes são notificados.

Pelo fato dos modelos de notificação de acidentes do trabalho serem muito variados nos países desenvolvidos e nos que estão em desenvolvimento, não se pode afirmar com certeza que o Brasil é o campeão mundial de acidentes de trabalho, entretanto, afirma Leonardo, os índices são um dos mais altos do mundo, e o fato que mais chama atenção, diz o procurador do MPT, é que cerca de 90 a 95% dos acidentes poderiam ser evitados se houvesse mais organização no ambiente de trabalho e se as empresas colocassem a proteção coletiva à frente da produtividade.

Outro fator preocupante, é que a cada 5 acidentes de trabalho, 4 vitimam trabalhadores terceirizados, e segundo o procurador, “o MPT alertou durante a tramitação da Reforma Trabalhista que seria necessária uma maior discussão e aperfeiçoamento da lei da terceirização. A ampliação dessa forma de contratação de mão de obra tende a aumentar o número de acidentes”.

A segurança do trabalho hoje vem sendo motivo de constantes modificações de processos, no ambiente, máquinas e equipamentos, nas ferramentas e nos produtos utilizados nas mais diversas atividades laborais, e a busca da melhoria das condições no ambiente de trabalho, priorizando as medidas preventivas, para que, num futuro próximo, as relações de trabalho e produtividade se tornem inteiramente saudáveis.

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*Ruy Euribio da Silva é engenheiro de segurança do trabalho e diretor da Conserto Consultoria.

Site: www.migalhas.com.br
Matéria: https://www.migalhas.com.br/dePeso/16,MI299259,81042-A+seguranca+no+trabalho

TST invalida norma coletiva que prevê percentual menor que o de lei para adicional de periculosidade

A norma coletiva previa o pagamento do adicional no percentual de 22,5% para a função de cabista desempenhada pelo empregado. O Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região (Campinas/SP) condenou a empresa ao pagamento das diferenças do adicional em relação ao percentual de 30% previsto em lei.

Em 2010, a Quarta Turma do TST afastou a condenação, acolhendo recurso de revista da empresa e julgando prejudicado o do cabista. A decisão se baseou no item II da Súmula 364, que assegura o reconhecimento de cláusula de acordo ou da convenção coletiva que fixa percentual diferente do legal para o recebimento do adicional de periculosidade.

Em embargos à SDI-1, o cabista alegou que o adicional de periculosidade é medida de higiene e de segurança do trabalho e, por isso, não pode ser pago em percentual inferior ao estabelecido em lei. Sustentou também que as normas coletivas têm prazo de vigência determinado e não se incorporam ao contrato de trabalho.

No exame dos embargos, o relator, ministro Walmir Oliveira da Costa, explicou que, em 2011, o TST cancelou o item II da Súmula 364, levando em consideração as limitações constitucionais à flexibilização dos direitos trabalhistas por meio de negociação coletiva. Outro ponto considerado, segundo o ministro, foi a necessidade de resguardar os preceitos que tutelam a redução dos riscos do trabalho por meio de normas de saúde, higiene e segurança do trabalhador.

“Tais disposições estão em inequívoco confronto com o arcabouço jurídico-constitucional de tutela do trabalho, em se tratando de direito infenso à negociação coletiva”.

Por unanimidade, a SDI-1 deu provimento aos embargos para restabelecer o acórdão do Tribunal Regional e determinar o retorno do processo à Quarta Turma para que prossiga no exame do recurso de revista do ex-empregado.

Processo: ED-RR-8900-73.2005.5.15.0027

Portaria MTB 326 altera a NR 12

Foi publicada a Portaria MTB 326, de 14 de maio de 2018, que altera a Norma Regulamentadora n.º 12 (NR 12), que disciplina segurança no trabalho em máquinas e equipamentos.

 

Foram incluídos os seguintes itens, relacionados ao transporte de cargas em teleférico e as medidas de proteção para trabalhadores que exercem atividades na área:

 

12.13.1 É permitido o transporte de cargas em teleférico nas áreas internas e externas à edificação fabril, desde que não haja postos de trabalho sob o seu percurso, exceto os indispensáveis para sua inspeção e manutenção, que devem ser programadas e realizadas de acordo com esta Norma Regulamentadora e a Norma Regulamentadora n.º 35.

12.93.2.1 No transporte de materiais por meio de teleférico dentro da unidade fabril, é permitida a circulação de pessoas, devendo ser adotadas medidas de segurança que garantam a não permanência de trabalhadores sob a carga.

12.93.3 No transporte de materiais por meio de teleférico em área que não seja de propriedade ou domínio da empresa, fica dispensada a obrigação dos itens 12.93, 12.93.1 e 12.93.2, desde que garantida a sinalização de advertência e sem prejuízo da observância do disposto nas legislações pertinentes nas esferas federal, estadual e municipal.

 

Também ficam alteradas as seguintes definições relativas a dispositivos de acionamento, com a exclusão do termo “comando”:

 

De:

Dispositivo de comando bimanual: dispositivo que exige, ao menos, a atuação simultânea pela utilização das duas mãos, com o objetivo de iniciar e manter, enquanto existir uma condição de perigo, qualquer operação da máquina, propiciando uma medida de proteção apenas para a pessoa que o atua.

Para:

Dispositivo de acionamento bimanual (também conhecido como dispositivo de comando bimanual): dispositivo que exige, ao menos, a atuação simultânea pela utilização das duas mãos, com o objetivo de iniciar e manter as mãos do operador nos dispositivos de atuação (geralmente botões), enquanto existir uma condição de perigo, propiciando uma medida de proteção apenas para a pessoa que o atua. Distâncias requeridas entre os dispositivos de atuação e outras informações podem ser obtidas nas normas ISO 13851 e ANBT NBR 14152.

 

De:

Dispositivo de comando de ação continuada: dispositivo de comando manual que inicia e mantém em operação elementos da máquina ou equipamento apenas enquanto estiver atuado.

Para:

Dispositivo de ação continuada (também conhecido como dispositivo de comando sem retenção): dispositivo de acionamento manual que inicia e mantém em operação elementos da máquina ou equipamento apenas enquanto estiver atuado.

 

De:

Dispositivo de comando por movimento limitado passo a passo: dispositivo de comando cujo acionamento permite apenas um deslocamento limitado de um elemento de uma máquina ou equipamento, reduzindo assim o risco tanto quanto possível, ficando excluído qualquer movimento posterior até que o comando seja desativado e acionado de novo.

Para:

Dispositivo de acionamento por movimento limitado passo a passo (também conhecido como dispositivo de comando limitador de movimento): dispositivo cujo acionamento permite apenas um deslocamento limitado de um elemento de uma máquina ou equipamento, reduzindo assim o risco tanto quanto possível, ficando excluído qualquer movimento posterior até que o dispositivo de atuação seja desativado e acionado novamente.

 

O que mais mudou na NR 12 ?

No mesmo sentido (exclusão do termo “comando”), também foi alterada a redação do item 12.26, que disciplina a utilização de dispositivos de acionamento bimanual.

E ficam incluídas as definições de: 

– Teleférico: Para fins desta norma, considera-se teleférico o transporte aéreo automatizado realizado por cabo e trilho de cargas em caçambas entre terminais automatizados de carga e descarga.
– Dispositivo de restrição mecânica: dispositivo que, ao introduzir um obstáculo mecânico (por exemplo, cunha, fuso, escora, calço etc.) em um determinado mecanismo, opõe-se a ele por meio de sua própria força, podendo assim prevenir algum movimento perigoso.
– Dispositivo limitador: dispositivo que previne uma máquina, ou as condições perigosas de uma máquina, de ultrapassar um limite determinado (por exemplo, limitador de espaço, limitador de pressão, limitador de torque etc.).
– Dispositivo de obstrução: qualquer obstáculo físico (barreira, trilho etc.) que, sem impedir totalmente o acesso a uma zona perigosa, reduz a probabilidade do acesso a esta zona, oferecendo uma obstrução ao acesso livre.

As alterações promovidas na NR 12 já estão em vigor desde sua publicação.

Veja o texto integral da norma:

http://www.trabalho.gov.br/images/Documentos/SST/NR/NR12/NR-12.pdf

 

A Conserto Consultoria é homenageada pela Ciesp no Prêmio Industrial do Ano.

No último dia 24 de maio, a Conserto Consultoria participou do Evento Industrial do Ano, promovido pela Ciesp de São Paulo, na categoria de Prestador de Serviços à Indústria.

Tivemos a honra de receber uma homenagem do Diretor Titular da Ciesp Distrital Sul, Dr. Leonardo Ugolini.

Nesta mesma ocasião, conquistamos o selo de “Parceiro da Ciesp”, o que fortalece ainda mais a nossa credibilidade e reconhecimento no mercado de Assessoria em Perícias Judiciais e Consultoria em Segurança e Medicina do Trabalho.

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Este reconhecimento se deve à todos os nossos clientes que nos motivam a trabalhar com excelência e buscar sempre soluções e resultados para os seus negócios.

O nosso sucesso se deve também ao trabalho incansável dos nossos colaboradores e parceiros que acreditam na nossa missão de levar a Segurança do Trabalho às empresas e indústrias do nosso País.

Confira as fotos deste importante evento acessando o link abaixo e nossas redes sociais.

https://goo.gl/EJHAau

https://www.facebook.com/conserto.consultoria?hc_ref=ARSJ3dj5BGodgJeLY8UTuPinBYsXfWfb53hj1A8DyAa_BRHd5rGYskBcHZIl1W0Wdv8

 

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Um abraço, e mais uma vez nosso muito obrigado!

Ruy Euríbio da Silva

Diretor da Conserto Consultoria

Junho vermelho, coleta de sangue e a segurança do trabalho em laboratórios clínicos.

Os laboratórios de análises clínicas estão expostos a uma série de fatores de risco, incluindo contaminação pelo uso ou manuseio de material biológico, fluido ou tecidos, solventes orgânicos, ponteiras e tubos, material pontiagudo ou cortante, além dos mais variados riscos biológicos.

Segundo o Portal Academia de Ciência e Tecnologia, a maior parte dos problemas envolve materiais perfurocortantes, representando entre 80% a 90% dos acidentes. Esse tipo de situação não só coloca em risco os próprios profissionais, como pode diminuir a qualidade do trabalho.

Quais as normas mais importantes? 

Para garantir a segurança do trabalho nos laboratórios clínicos, a Anvisa e a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) criaram padrões e normas de condutas. Conheça as principais delas.

RDC 302/2005

Estabelece a necessidade de um manual de biossegurança para treinar e capacitar sua equipe. Em muitos laboratórios, são utilizados os Procedimentos Operacionais Padrão (POP). Eles têm o objetivo de padronizar condutas do dia a dia, minimizando a ocorrência de erros.

Por meio do manual, devem ser informados aos funcionários os seguintes pontos:

  • Condutas e normas de segurança ambiental, biológica, física, química e ocupacional;
  • Instruções de uso para equipamentos de proteção;
  • O que fazer em caso de acidentes;
  • Transporte e manuseio de materiais e amostra biológica.

NBR 14785

Foi criada pela ABNT especificamente para laboratórios clínicos como forma de proteção individual e dos pacientes. De acordo com esta norma, os colaboradores que compõem a equipe devem:

  • Ser treinados para interromper qualquer atividade, caso haja risco imediato;
  • Identificar e notificar qualquer problema de segurança;
  • Providenciar ou recomendar ações que corrijam situações de risco;
  • Acompanhar e participar da implementação das ações corretivas.

Para tanto, os laboratórios clínicos precisam investir em um treinamento adequado e contínuo, garantindo a segurança do trabalho de todos. O ambiente de atuação também deve ser projetado pensando na prevenção de riscos de todos os tipos.

Equipamentos de Proteção

Além das normas citadas acima, o Ministério da Saúde obriga os laboratórios clínicos a utilizarem equipamentos de proteção. Eles têm o objetivo de proteger os profissionais do contato com substâncias tóxicas ou irritantes, materiais perfurocortantes, agentes infecciosos, entre outros.

O próprio laboratório deve fornecer os equipamentos, além de cobrar o uso deles pelos funcionários da equipe. Entenda a seguir a diferença entre os tipos de equipamentos de proteção e quais itens devem ser usados.

Quais EPIs e EPCs são necessários? 

Ambos os tipos são equipamentos de segurança essenciais para aumentar a segurança do trabalho e reduzir o risco de acidentes. Basicamente, os EPIs são Equipamentos de Proteção Individual, enquanto os EPCs são Equipamentos de Proteção Coletiva.

Os EPIs, portanto, são utensílios individuais para cada trabalhador. Têm a finalidade de proteger a saúde e a vida de cada funcionário. As categorias de Equipamentos de Proteção Individual são:

  • Proteção da cabeça: touca, capuz, capacete;
  • Proteção dos olhos e do rosto: óculos, viseiras, máscaras;
  • Proteção auditiva ou auricular: abafadores, protetores auriculares;
  • Proteção respiratória: respirador;
  • Proteção do tronco: jalecos, coletes;
  • Proteção dos membros superiores: luvas descartáveis, luvas anti-incêndio, braçadeiras;
  • Proteção dos membros inferiores: calças, botas etc.

Os EPCs, por sua vez, são materiais fixos ou móveis instalados no local de trabalho. Servem para a proteção coletiva de toda a equipe e empresa. No caso dos laboratórios clínicos, um dos principais exemplos de Equipamentos de Proteção Coletiva são as Cabines de Segurança Biológica (CSB), também conhecidas como capelas de fluxo laminar.

Estas cabines são utilizadas para proteção do ambiente, além do próprio profissional. Também existem equipamentos que protegem o produto que está sendo manipulado, evitando possíveis contaminações. Outros dois itens importantes nos laboratórios são o kit de primeiros socorros (necessário para pequenos ferimentos) e o kit de desinfecção (para acidentes com materiais biológicos).

Outros exemplos de EPCs seriam: barreiras de proteção de diversos tipos; corrimão; piso antiderrapante, incluindo degraus de escadas; fitas e outros materiais sinalizadores.

O que fazer em caso de acidente? 

De acordo com o Ministério do Trabalho, qualquer acidente deve ser registrado em formulários para que os procedimentos legais e de segurança possam ser executados. Nem sempre as notificações acontecem, por isso, é fundamental criar essa cultura de cuidado e de prevenção dentro dos laboratórios.

Em caso de acidente em laboratórios clínicos, o responsável deve acionar os procedimentos adequados para que as medidas sejam tomadas em até 24h. Todos os envolvidos devem passar por exames de sangue e testes sorológicos.

É impressionante como estamos expostos a riscos mesmo sem perceber, não é mesmo? O mais importante é nunca esquecer que a saúde e a integridade física da equipe vêm em primeiro lugar.

Sem as práticas adequadas de segurança do trabalho, os laboratórios clínicos podem ter graves problemas que até mesmo inviabilizariam a empresa de continuar operando. Por isso, um pouco de cuidado nunca é demais.